Cada atitude, cada gesto são importantes na luta contra a extrema pobreza e a exclusão. Existem várias maneiras de agir, independentemente de nossas habilidades e disponibilidade. Essas mensagens, estes testemunhos são a expressão destas experiências. Sinta-se livre para contribuir.

Os testemunhos ou depoimentos são publicados sob a responsabilidade do autor. Eles estão sujeitos a validação e serão publicados somente se eles se encontram de acordo ao espírito deste dia, tal como definido na Carta Internacional do 17 de Outubro.

 

Testemunhos
Brasil

Fórum de Cooperativas de Recicladores do Vale dos Sinos lutam contra a incineração

Os Trabalhadores de várias cooperativas de catadores da região do Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, reunidos em um Fórum que existe há 12 anos, lançaram campanha contra a INCINERAÇÃO DE RESÍDUOS na região e no estado. Um documento, elaborado pelo Fórum e com apoio de várias entidades, está sendo divulgado, explicando as razões que fazem os catadores e seus apoiadores a levantarem esta bandeira. A partir do lançamento deste documento, que está sendo entregue a vereadores, prefeitos e deputados, os trabalhadores iniciaram uma marcha pelos municípios da região, em apoio à Politica Nacional de Resíduos Sólidos, à Coleta Seletiva, à Economia Solidária e contra a Incineração dos resíduos, principal ativo econômico destes empreendimentos cooperativos. Segue cópia do documento.

08/08/2014
Ernani Ribeiro
Portugal

Crise e Austeridade

Olá. Chamo-me Isa e tenho 25 anos. Sou casada e mãe de um bebé de 15 meses.

Infelizmente eu e a minha família somos apenas mais uma família afectada por uma crise que não pedimos, que não criamos.

Eu e o meu marido, o Filipe, conhecemo-nos pela internet, sendo que falamos por este meio durante 7 anos, até que finalmente nos conhecemos pessoalmente, e decidimos viver juntos. Tinhamos muitos sonhos para nós. Eu tinha acabado de me licenciar em Turismo. Escolhi esta area porque sou apaixonada por culturas diferentes, e gosto muito de lidar com essas mesmas culturas. O meu hoje marido, cozinheiro, veio viver comigo para o Porto, e veio também com a esperança que num meio metropolitano maior lhe proporcionasse o que a Ilha Madeira não lhe proporcionou: trabalho.

Andou meses e meses à procura de trabalho, em todo o lado.Por email, de porta em porta, por telefone. O máximo que até hoje arranjou foi trabalhos sazonais, de 1 mês ou 2 no máximo. Precisavam dele, mas mal deixassem de precisar mandavam-no embora.

Entretanto engravidei. O nosso bebé lindo nasceu a 6 de Outubro de 2011. Eu consegui voltar ao trabalho que tinha, como recepcionista. Mas o meu marido, até hoje, continua desempregado.

Chegamos a um ponto de desânimo total. O meu salário não dá para tudo. Temos que pagar renda, empréstimo académico, creche (para o meu marido poder procurar trabalho)... E para comer e pagar restantes contas, recorremos a 2 cartões de crédito, o que só agrava a nossa situação todos os meses.

Estou com uma depressão.Já não sei mais o que fazer. Sempre nos orgulhamos de sermos pessoas cumpridoras, humildes e honestas. Mas como podemos ser honestos numa situação destas? Para onde quer que olhamos, onde quer que vamos...não há emprego, não há esperança! Não há dinheiro.

Custa-me tanto viver nesta realidade, principalmente pelo nosso bebé. O que vai ser do futuro dele neste país? Já pensamos imigrar, mas com que dinheiro? Custa-me pensar que o meu filho vai crescer numa terra que a cada dia que passar há mais pobreza, menos trabalho e mais impostos. O que vai ser dele?

Não criamos esta dívida, do nosso país. Tanto eu e como meu marido, sempre tivemos sonhos. Somos melhores que isto. Sei que, se tivessemos oportunidades, conseguiamos melhor. Quero tanto conseguir mais, pelo nosso filho. E o meu marido também.

Não queremos dinheiro fácil. Queremos ajuda. Queremos trabalho. Hoje em dia, esse é o verdadeiro euromilhões, arranjar trabalho. Afinal, somos seres humanos, não um número perdido nas estatísticas do desemprego.

Isa Silva

02/02/2013
Isa Alexandra Matias Silva