Tema para 2017
Responder ao apelo do 17 DE OUTUBRO para erradicar a pobreza : um caminho que nos leva a criar sociedades pacíficas e inclusivas

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As pessoas vivendo numa extrema pobreza estão mais expostas do que as outras às condições de vida difíceis e perigosas provocadas pelo meio ambiente, tendo além disso menos capacidades para enfrentarem as suas consequências. Vivem muitas vezes em zonas poluídas ou expostas às catástrofes da natureza e aos efeitos das mudanças climáticas, quer se trate de inundações, de seca ou de aluimentos de terreno. Também não conseguem ter acesso àquilo a que têm direito, como os cuidados de saúde, a educação, um trabalho digno, água potável e saneamento de base. Os seus esforços para obterem meios de subsistência põem frequentemente em perigo a sua saúde. Por exemplo, nas zonas urbanas, vão para as lixeiras para catarem o lixo reciclável a fim de o venderem, o que as expõe às emanações de substâncias químicas tóxicas. Nas zonas rurais, passam longas horas no campo ou nas plantações e o seu corpo paga um pesado tributo a duras fainas por um pagamento miserável.

As respostas aos desafios do desenvolvimento sustentável não devem ser dadas à custa daqueles que vivem na extrema pobreza mas, isso sim, levando em conta que são eles que devem estar no centro da questão. As políticas de desenvolvimento sustentável devem prioritariamente observar os esforços das pessoas extremamente pobres. Pois foram elas muitas vezes as primeiras a tomarem iniciativas que transformaram as suas condições de vida nas zonas urbanas onde há penúria de alojamentos, melhorando as instalações de fornecimento de água, de saneamento e aquecimento. Trabalhando em pequenos “grupos de amigos solidários”, à margem do tratamento dos lixos, conseguiram passar de uma vida perigosa e nos limites do suportável à criação de atividades geradoras de rendimento. Os programas sobre o respeito do meio ambiente devem ser pensados juntamente com as pessoas e populações mais vulneráveis, devem ser construídos a partir das suas capacidades e dos seus esforços, para que tenhamos a certeza de que todos os direitos humanos de toda a humanidade, sem exceção, serão garantidos na sociedade.

Durante a atual preparação da Cimeira do Rio de Janeiro em 2012, vinte anos após a Cimeira da Terra em 1992 (ECO-92), as Nações Unidas «reconhecem que a erradicação da pobreza é o maior dos desafios lançados pelo mundo contemporâneo e uma condição indispensável para se poder alcançar um desenvolvimento sustentável» (resolução A RES //64/236).

Para as famílias vivendo numa extrema pobreza, o desenvolvimento sustentável requer algo mais do que programas anti-pobreza. Tanto no Norte como no Sul, há crianças que vivem confrontadas «com a injustiça e com a violência que as rodeia», como afirmam seus próprios pais. As formas de violência mais visíveis são as que decorrem de conflitos guerreiros, de perseguições policiais e da violência dos gangs. Mas quando falamos com as crianças e suas famílias que vivem mergulhadas neste tipo de situação, é frequente elas começarem por apontar formas de violência mais insidiosas:

«Quando a gente se levanta de manhã sem saber para onde ir, sem ter nada à mão para dar de comer aos filhos… isso é que é violência

«Quando te vês obrigado a andar à luta com outro para defender o pouco que possuis… isso é que é violência

«Quando somos sempre obrigados a baixar a cabeça, a fingir que não vemos, a calar a boca, a fazer que não entendemos… isso é que é violência¹

O desenvolvimento sustentável não se resume a um planeta limpo. É também a garantia de que ninguém ficou posto de lado. Só assim o desenvolvimento será realmente sustentável e só assim se poderá construir uma paz duradoura.

 Um desenvolvimento só será sustentável com a participação de todos

¹ Colóquio «La démocratie à l’épreuve de la grande pauvreté, l’actualité de la pensée de Joseph Wresinski » (A democracia submetida à prova da grande pobreza, a atualidade do pensamento de Joseph Wresinski), Haiti, 2008