Valeremos nós, neste nosso mundo, alguma coisa para os outros ?
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Carta aos Amigos do Mundo 89

“Há muito quem fale dos nossos problemas, há muito quem pense que somos um problema, que temos problemas...Mas não é assim que nós nos vemos... Não são os problemas que nos caraterizam. O que nos carateriza são as perguntas que fazemos. E a nossa primeira pergunta é esta : seremos nós alguém neste nosso mundo para os outros? Será que as nossas mãos, nossas inteligências e nossos corações são úteis ?”

É com estas palavras de Joseph Wresinski, quando se dirigia aos jovens do Quarto Mundo em 1985, que nós queremos, no limiar de 2015, mandar-lhes os nossos votos de paz, saúde e coragem para a entrada neste novo ano. 2015 será um ano crucial para a comunidade internacional, pois ela deverá fixar novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para os próximos anos. Serão eles inspirados pela experiência e pela inteligência daqueles que, no mundo
inteiro, resistem à violência da miséria ? Partirão eles do reconhecimento da dignidade de cada um e terão como objetivo que todos possam contribuir para o mundo de amanhã ? A avaliação dos Objetivos do Milénio para o Desenvolvimento fixados pela ONU em 2000 originou um grande debate sobre as escolhas que deveriam ser feitas e sobre as políticas a lançar depois de 2015.
 

“Não deixar ninguém de lado” passou a ser uma ambição que pode ser lida nos relatórios do Secretário Geral das Nações Unidas, que se ouve no seio dos grupos encarregados de elaborar a agenda para o pós 2015, de que se fala na sociedade civil. Se ela fosse realizada, essa ambição traria uma lógica totalmente diferente. Ela romperia enfim com os precedentes objetivos que se propunham atingir metade das pessoas confrontadas com a pobreza.

E desde o ano 2000 que muitas pessoas que encontramos em vários países nos dizem quando ouvem falar de “metade” : “Só metade ! Então isso nunca será para nós, nem para a nossa família, nem para os nossos vizinhos...”.

Sabemos muito bem que as verdadeiras mudanças demoram a chegar ! Por isso, no ano que está a chegar continuaremos a dar-nos coragem mutuamente para os nossos compromissos e nossas ações, dia após dia, para que todos os seres humanos sem excepção sejam reconhecidos e
acolhidos lá onde se decidem o presente e o futuro da humanidade.

Isabelle Perrin, Delegada Geral
do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo