Uma biblioteca de portas abertas para o mundo
usa-bdr.jpg

A biblioteca do Centro Comunitário Thoreau é a única biblioteca pública numa área de 50 km à volta da Agência de Leste de Navajo. Pouco a pouco, ela poderá vir a ser um ótimo complemento do Bibliobus da Biblioteca do Estado, que estaciona na região uma vez por mês.

“Uma biblioteca não é nenhum luxo, é uma necessidade vital.” - Henry Ward Beecher

Há uma cena de um documentário de que me lembro com muita clareza por ser um momento de humanidade fundamental e universal que nos deixa sem voz : Um jornalista que viajava pelos Estados Unidos atravessa o país Navajo. Encontra uma jovem mãe que vivia com sua família num lugar isolado, sem eletricidade nem água potável, sem empregos nem possibilidade de mudança. O jornalista pergunta : “O que lhe faz mais falta, a si e à sua comunidade?” E a jovem mãe, digna, com um ar cansado, mas de quem sabe e pesa o que diz, responde suspirando: “Uma biblioteca.”

É exatamente isso que o Centro Comunitário Thoreau proporciona hoje. O principal objetivo do Centro é “fazer brotar a esperança, a alegria e o progresso”. E é isso que ele faz todos os dias graças aos cursos de informática e de flauta tradicional, ao acesso gratuito à Internet, e ao
programa para os jovens “depois da escola”, entre outras coisas. E haverá melhor maneira de fazer brotar a esperança, a alegria e o progresso do que fazer circular livremente os conhecimentos, as ideias e a experiência que os livros podem veicular ? Há cerca de três meses, os jovens podiam consultar uns trinta livros e agora já podem escolher entre 3.000 obras, através das quais podem evadir-se, viajar, questionar-se, sentir, aprender e receber inspiração...

A biblioteca foi criada como uma “sopa de pedra” contemporânea. Foram organizadas coletas de livros no Estado inteiro. Dezenas de pessoas, de bibliotecas, de alfarrabistas e de instituições doaram livros. Prateleiras e madeira foram oferecidas. Houve quem costurasse e cosesse almofadas para que houvesse um lugar confortável para os jovens se sentarem. Outras pessoas escolheram, consertaram e puseram etiquetas nos livros. Os bibliotecários da região deram um apoio precioso. Os habitantes contribuiram com os seus veículos para a recolha de tudo o que foi oferecido.

Um empenho como este, tantos esforços feitos por tantas pessoas poderiam parecer excessivos se considerássemos que uma biblioteca era um “luxo” ; mas, se encararmos a biblioteca como “uma necessidade vital”, então esta iniciativa reveste-se de um sentido novo. Ela passa a ser um esforço coletivo ambicioso para proporcionar a uma comunidade com muito poucos recursos – e especialmente aos jovens– uma porta aberta para as múltiplas formas de conhecimento e de riqueza que o mundo pode oferecer.

KAREN S., ÉTATS-UNIS