Restaurante Social
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Perto de Setúbal, em Portugal, situa-se o Restaurante Social, onde são distribuídas diariamente 115 refeições, ao preço que varia consoante a situação económica da pessoa. Boa parte dos utilizadores não pagam nada, e outra parte 10, 20, 30 ou 40 cêntimos.

Há cerca de 4 anos iniciamos aqui a recolha de alimentos excedentes de restaurantes para entregar a pessoas carenciadas. Mas fui percebendo que deveríamos evoluir para algo diferente porque não me parecia dignificante entregar as refeições à meia-noite, de inverno, a chover, a pessoas idosas. E também me parecia que devíamos evoluir para algo que responsabilizasse as pessoas. Fizemos um debate no seio da comunidade, e assim nasceu o Restaurante Social para dar respostas diferentes e mais adequadas à necessidade de “matar” a fome.

As pessoas são atendidas para avaliar as condições económicas da família e depois dessa avaliação elas são chamadas a participar financeiramente. Isso é gratificante para elas que dizem “eu pago a minha refeição, participo, porque sou responsável pela minha vida e pela minha família”.

As pessoas têm duas possibilidades : ou comem no restaurante ou levam comida para casa.

Conseguimos financiar este projecto só com o apoio da comunidade : donativos, apoios de pessoas individuais ou de grupos que organizavam espectáculos para angariação de fundos. Também havia quem viesse jantar ao Restaurante Social pagando refeições a um preço mais elevado e assim contribuindo para rentabilizar o projecto.

Para além do respeito pela dignidade das pessoas e um constante apelo à responsabilidade, procuramos implementar a formação. Para isso têm vindo a decorrer, em parceria com a Caritas vários cursos. Queremos que as pessoas adquiram novas competências e desenvolvam auto estima.

Outra dimensão é a coesão social. Para que não haja o estigma que o Restaurante Social é o restaurante dos pobres, temos promovido a vinda de vários tipos de pessoas, desde deputados, professores universitários e muita gente anónima. Isto é bom porque os utentes habituais têm oportunidade de ver pessoas com uma situação económica diferente e de comer no meio deles.

Padre CONSTANTINO A., SETÚBAL, Portugal
 “TRANSFORMAR” N°48 – FÓRUM ABEL VARZIM