Projeto de solidariedade
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Os nossos amigos do Fórum Abel Varzim acabam de nos enviar o n° 14 da sua revista on line, da qual transcrevemos o artigo seguinte :

O Fórum Abel Varzim assume o legado espiritual do Pe. Abel Varzim, difundindo o seu pensamento, obra e testemunho. E constitui, por isso, objecto da Associação promover a integração social e comunitária de pessoas que se encontrem em situação mais desfavorecida, respeitando os princípios da igualdade e solidariedade social.
Assim, prosseguindo este objectivo, e dando cumprimento ao programa de atividades aprovado na última Assembleia-geral, iniciou-se em Outubro do ano passado um  projecto de fornecimento gratuito de refeições a pessoas carenciadas, residentes na área da Graça, em Lisboa.
Esta acção desenvolve-se em parceria com a Empresa EUREST especializada na confecção de refeições, e apoio do Colégio do Sagrado Coração de Maria bem como da Fundação Maria do Carmo
Roque Pereira, instalada também na área da Graça.
Por semana são distribuídas 50 refeições entre as 18:00 e as 20:00 horas, sendo abrangidos 24 agregados familiares: uma refeição por cada membro do agregado. As refeições estão a ser confeccionadas no Colégio do Sagrado Coração de Maria, na Av.ª Manuel da Maia (a Arroios), Lisboa e posteriormente transportadas para a Sede do Forum - Rua Damasceno Monteiro, n.º 1 - r/c Lisboa (à Graça), e aí distribuídas.
Foram constituídas equipas, cujas tarefas são: garantir o transporte das refeições entre o Colégio e a Sede do Forum, a preparação das embalagens e a sua distribuição às famílias. De salientar que alguns voluntários da paróquia da Graça integram as equipas de trabalho correspondendo ao pedido do Forum Abel Varzim ao Pároco daquela Paróquia.
Este projecto exigiu algumas melhorias nas instalações do Forum - particularmente na zona da cozinha - e a aquisição de algum equipamento.
Felizmente alguns sócios e amigos responderam positivamente ao apelos do FAV e ofereceram donativos e/ou trabalho voluntário.

Testemunho  de  um  Utente
Considera que esta iniciativa do fornecimento de refeições é uma coisa útil ou é uma coisa desadequada?
José: Toda a iniciativa no sentido de ajudar é positiva. Pensando, sobretudo, que quem está hoje em cima amanhã estará, sabe Deus como. Contudo, sobretudo, que quem precisa não o diz. As
necessidades e a pobreza escondem-se entre quatro paredes sem que o saibamos, e é nessa pobreza, nessa necessidade envergonhada que Lisboa, o País, vive sobretudo.
Portanto, acha que devíamos continuar, e é útil continuarmos?
José: Muita gente considera que se está a brincar à “caridadezinha” mas, dar comida, dar um pão não é estar a dar um bolo, nem é estar a dar um doce, é estar a suprir uma necessidade que as pessoas têm. Não a confessam, mas têm. E uma sopa quente, então neste tempo que está frio, a quem é que não sabe bem.
Nesta zona da Graça há muita gente que tem mesmo necessidade da tal sopa quente, não é?
José: Nesta zona da Graça há muita gente com a necessidade de sopa quente até porque, repare numa coisa, patos bravos que vieram da província com uma mão atrás outra à frente enriqueceram e compravam as casas por tuta e meia, casas que agora estão a valer mais. A própria Câmara esteve a vender as casas e eles exigem às pessoas, mesmo as que não podem pagar porque têm uma pensão de 200 euros, exigem uma renda de 400 euros. O Estado não está preparado para ajudar. As pessoas vão cortar aonde para ter uma casa? Para não ser sem-abrigo? Cortam na comida. É a única coisa onde podem cortar.
O que é que nós temos de fazer para alterar tudo isto? Para eliminar, erradicar, a pobreza. O que é que se pode fazer? O que é que cada um de nós, o que é que o Estado pode fazer?
José: Falar menos e agir mais. Ajudar quem está ao lado e que precisa, independentemente do aspecto que manifesta.
Tem esperança que a sua situação pessoal se altere nos próximos tempos?
José: A esperança para mim neste momento é uma palavra. Considerando que a saúde, quer minha, quer dos familiares com quem estou, não dá grandes perspectivas. Não fora a saúde, eu não estaria aqui a falar consigo.
E o que é que se pode fazer ao nível da saúde? Acha que neste momento o sistema de saúde em Portugal está a responder às necessidades das pessoas?
José: O sistema está a responder, embora nos últimos tempos tenham sido feito coisas que têm dificultado muito, têm criado uma grande dificuldade aos profissionais para cumprirem o seu papel. Corte de verbas, falta de material, falta de cirurgias, etc.
Que lhe apetece dizer mais?
José: Gostaria só de agradecer por terem tido esta iniciativa porque às vezes não é só o pão que se dá, é a maneira como se dá o pão e vocês estão a dar esse pão com carinho, com compreensão. Espero que possam abranger muito mais gente neste projecto.