Pedro Vaz Patto é o novo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP)
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O responsável português, que pertence a este organismo há alguns anos, alerta para a responsabilidade de cada pessoa no auxílio e na denúncia de situações que instrumentalizem o ser humano e não promovem a dignidade.
Mais abaixo, algumas passagens de uma entrevista do novo presidente.

[...]Há subjacente ao tráfico de pessoas o tratar o outro como coisas. Há ainda condições concretas que favorecem o recrutamento das vítimas, a falta de oportunidades de trabalho, a pobreza extrema, a falta de acesso à cultura, a emigração. É preciso distinguir: nem sempre os emigrantes são vítimas de tráfico de pessoas. Mas há que estar atento porque uma pessoa que perca o sue trabalho e a sua residência fica mais frágil para aceitar qualquer condição para não ser expulsa. É este perigo que existe. O regime de autorização de residência não deve ser diferente mas faz depender um contrato de trabalho é preciso ver que obedeça aos requisitos normais com garantias do direito do trabalhador.[...]
Falemos da inclusão social dos pobres que é um desafio para a sociedade portuguesa que continua a ter pobres e vive um quadro de pobreza acentuada resultado da crise que atravessamos. Eu considero que o desafio é não encararmos estas situações como se tudo dependesse de uma questão técnica e como se o crescimento e a eventual retoma económica, que não sabemos até que ponto virá e a que ritmo, fosse necessariamente um garante da justiça. O essencial é não pensar que depois vem tudo por acréscimo.

[...]Esse desafio é para cada um de nós que pode fazer alguma coisa, à sua escala, para combater a pobreza.
Para enfrentar as causas estruturais da pobreza, e o Papa tem sublinhado isto, não bastam ações isoladas mas é necessário ir à raiz para que o fenómeno não continue indefinidamente e não seja remediado de uma forma superficial ou temporária.
Nem a responsabilidade dos políticos, dos Estados, exclui a responsabilidade individual nem a responsabilidade de cada um significa que se ignore aquilo que depende de uma ação de âmbito politico.