Nossa Equipe Itinerante
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( veja também : Encontros ao «ritmo da piroga» )

Temos uns vizinhos dependentes das drogas que vivem em total desconforto e passando fome. Dois deles entraram em nossa casa, aproveitando de uma das nossas itinerâncias, e levaram o que puderam: roupas, mochila, botijão do gás, rede... Mas, sabendo quem eram, fui atrás e um deles me levou a algumas casas onde tinha vendido ou escondido as coisas. Total, consegui recuperar um 80%... E agora sei para onde vão as coisas que eles tiram. Alguns deles diversas vezes aparecem em casa e almoçamos juntos. O problema é que não conseguem deixar as drogas e, quando necessitam, ficam fora de si atrás de um dinheiro para compra-la, mesmo que arrisquem a vida à qual não dão muito valor.

Depois disso, durante 2 semanas, fiquei itinerando pelas comunidades ribeirinhas e indígenas, para não perder o costume...
No mês de abril, dois jovens estiveram itinerando com a gente e aproveitamos a “mão-de-obra” pra consertar o chão do banheiro da nossa palafita, que ameaçava cair na água ‘perfumada’ do riacho que passa por baixo...

Temos visitado uma das comunidades indígenas que acompanhamos: a dos kokamas. Lá passamos alguns dias, conversamos e disseram como querem continuar organizando-se para conseguir melhorar a sua vida nesta comunidade e em que eles querem que continuemos a apoiá-los. Bonito ver um povo unido e com fé e esperança em dias melhores. Ainda fomos visitar um roçado comunitário a várias horas de caminhada pela floresta. Também passamos uma manhã realizando todo o processo para produzir ‘vinho’ de açaí (não fermentado), bebida gostosa e alimentícia feita dos frutos de uma palmeira. O mais difícil é subir nesta fina e alta palmeira (uns 15 metros) para cortar os pesados cachos: eles sobem com uma prática admirável, não sem bastante esforço, principalmente porque têm que descer segurando os cachos nas mãos, pois se os deixam cair se estragam. E, depois, a festa é beber juntos com o maior prazer e alegria.

Ontem mesmo acabei de chegar do interior, outra vez. Estivemos, meu companheiro Rafa e eu, no município de Tocantins, descendo o rio, nas comunidades ribeirinhas que acompanho desde o ano passado. Também numa outra comunidade a 4 km por estrada, onde ficamos sábado e domingo. Tudo bem, graças a Deus!

Agora, com uma montanha de coisas a fazer aqui em Tabatinga… E no dia 29 chegam do México dois companheiros jesuítas para ficar um mês conosco. Eles trabalham com indígenas e querem conhecer o trabalho da nossa Equipe Itinerante.

Abraço grande para toda a vossa equipe
Paco.