Mobilizar-se para ajudar um amigo
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Mbaraka K., um amigo do Movimento ATD Quarto Mundo da Tanzânia há já vários anos, conta-nos o que se passou quando um dos trabalhadores do mercado do peixe de Dar-es-Salam caiu doente .

No mercado do peixe, encontrei Shabani, um homem doente. Ele trabalhava fritando peixe e tinha uma hérnia que lhe doía muito. Não tinha irmão, nem irmã, nem família, nem abrigo. E eu não tinha recursos financeiros para o poder ajudar. Pedi conselho a um voluntário de ATD Quarto Mundo que me sugeriu que contatasse os meus amigos do mercado e que pedisse a cada um para dar algum dinheiro para pagar a operação. Depois de termos juntado todos os donativos, levámo-lo ao hospital de táxi.

Shabani foi visto por um médico que lhe arranjou um lugar e me deu uma receita com os medicamentos necessários que fui comprar à farmácia. Depois, o médico explicou-me que no banco de sangue não havia bastante sangue para a operação e perguntou-me se não podia voltar ao mercado de peixe e pedir aos amigos para darem sangue.

Consegui juntar umas vinte pessoas, mas mal falei de dom de sangue só ficaram seis. Essas seis foram comigo ao hospital e deixei-as com o médico que as levou para uma sala para lhes tirarem sangue. E aí, duas tiveram medo e fugiram. Só sobravam quatro. Fez-se o teste para ver o grupo sanguíneo e só duas eram compatíveis. E uma delas estava fraca demais para lhe tirarem sangue. Portanto, das vinte pessoas que eu tinha reunido de início, só uma podia dar sangue. À partida, eu não tinha pensado dar o meu próprio sangue, mas acabei por dar também. Acabamos por ser dois a dar. O médico e a enfermeira perguntaram-me  qual era a minha relação com Shabani e ficaram espantados quando lhes disse que era um amigo e não uma pessoa de família.

A operação foi um sucesso. Mas não havia ninguém para tratar dele depois. Fiquei no hospital o resto do dia e também a noite, dando-lhe de comer e de beber até ele poder sair. Shabani foi-me confiado mas como não havia lugar em minha casa, não o podia levar para lá. Foi uma amiga que o levou para casa dela e eu continuei a tratar dele até ele ficar bom.

Agora ele já não tem hérnia nenhuma. Está um homem forte e cheio de saúde. Tem uma pequena empresa numa ilha de pescadores perto do lugar onde eu moro. Dá-me sempre de graça uma parte do peixe que apanha. Somos muito amigos.
 

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