Melhorar a situação das camponesas
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A associação “Vitória da Camponesa”, na Tunísia trabalha com as mulheres do campo. Hayat, que faz parte dessa associação, partilha connosco um testemunho ouvido no âmbito dum projeto- inquérito sobre a situação dessas mulheres. Trata-se da vida de uma delas que vive numa região montanhosa e isolada onde a vida é muito difícil.

“Durante o inquérito estivemos em casa de uma camponesa idosa, com a cara coberta de rugas ilustrando a dureza de sua vida, mas onde se lia uma grande coragem iluminada por um belo sorriso”, diz Hayat.

E a camponesa conta : “Perdi o meu marido muito cedo e fiquei sozinha com oito filhos. Tinha que os sustentar e educar : havia a escola, a saúde... Por isso, cada dia, às quatro da manhã, ia para a serra com outras mulheres da aldeia para apanhar esparto. Andávamos uma hora e meia e a única comida que levávamos era um pedaço de pão com azeite. Ao meio-dia regressávamos para ir vender a nossa colheita ao mercado por alguns dinares. E depois de chegarmos a casa, tínhamos que limpar tudo e tratar dos filhos e dos animais”.

A vida destas mulheres é pois uma luta quotidiana para ganharem a vida e criarem os filhos. Agora, esta camponesa está só e envelhecida : os filhos partiram para ganhar a vida deles. A única filha que ficou com ela nunca foi à escola e o marido teve que sair da aldeia para ir ganhar o pão na cidade.

E a história repete-se com a filha, que tem que sair de casa de madrugada para ir trabalhar como operária agrícola nos campos por um salário de miséria. E a velha mãe tem que cuidar dos netos que têm todos menos de cinco anos.

Este inquérito é uma primeira etapa para nos pormos ao par das necessidades das camponesas e avaliar as suas competências. Elas trabalham há vários anos nos campos de regiões vizinhas, geralmente em condições muito difíceis. Adquiriram assim uma prática e uma longa experiência. Muitas delas gostariam de trabalhar na aldeia em atividades como a criação de gado, a agricultura, o artesanato ou o comércio. Para que assim a mesma história não continue a repitir-se de geração em geração.

Hayat A., Tunísia
 

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