Hoje tudo mudou!
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Carta aos Amigos do Mundo 98

A missão da APROJUMAP (Associação para a Promoção da Geminação e da Amizade entre os Povos) é contribuir para o desenvolvimento económico e social do mundo rural ruandês lutando contra a pobreza. Faz isso em parceria com os setores administrativos ruandeses e algumas povoações belgas.

A APROJUMAP apoia as famílias para que elas trabalhem juntas em ações coletivas semanais de solidariedade: trabalhos agrícolas, restauro de casas, instalação de fossos para lutar contra a erosão, etc.
Também propõe projetos de "gado pequeno" acessíveis aos mais pobres: eles recebem alguns animais como cabras ou porcos que criam em estábulos e que lhes fornecem estrume para os campos.
As famílias reúnem-se uma vez por mês em pequenos grupos num bosque para falarem, partilharem os seus problemas e refletirem nas soluções.

Tanto os trabalhos em conjunto, como os encontros, alimentam a solidariedade para se poderem enfrentar os problemas.

“Deixei de ir à escola, não por falta de inteligência, mas para poder pagar a inscrição e o material escolar do meu irmão. Corri demais, trabalhei na terra, estava sozinho. Era muito duro, sem gado nenhum [...]. Hoje já tudo mudou graças à APROJUMAP que nos integrou emações de solidariedade. Antes, eu não conseguia cultivar todos os campos, mas agora ajudamo-nos uns aos outros e, à vez, cultivamos os campos em pouco tempo. As ações de solidariedade cultivaram mandioca, sorgo, batata doce, feijão... tudo para mim [...]. Quando trabalhava a terra sozinho, perguntava a mim próprio por que estava sozinho, estava sempre cansado [...]. Na última colheita, colhi 120kg de feijão mas, quando estava sozinho, não conseguia colher mais de 57kg. E até penso que daqui a uns anos poderei voltar à escola.” Jean de Dieu N.

A APROJUMAP mobiliza as comunidades e as autoridades para elas lhe indicarem as pessoas mais excluídas e isoladas: “Precisamos de bastante tempo para as atingirmos. Geralmente, após alguns meses de participação, vê-se a mudança. As pessoas deixam de ser o que eram. As famílias mais excluídas saem assim do isolamento e passam a sentir-se seres humanos como os outros. Conseguem tornar-se uma força para se poderem afirmar e mostrar aos outros que também existem. As pessoas precisam de se juntar para combater contra a pobreza. Todos precisam de saber que a resposta aos nossos problemas está nos nossos semelhantes.”

EUGÈNE N., APROJUMAP, RUANDA .