Falando de futuro com crianças
inde001.jpg

Quando jovem, James S. conheceu de perto a vida na rua na Índia. Ao criar a associação Nanban – que significa ‘amigo’ em língua tamul – ele pretende dar às crianças e jovens confrontados com a miséria e com a vida na rua uma nova oportunidade. Ele quer sobretudo agir a montante, junto das crianças ditas “em risco” e de seus pais. Leiam o artigo publicado no Deccan Chronicle por Nizar Ahamed:

Desorientadas, sem defesa e muito pobres, as crianças que perderam os pais não podem certamente falar de futuro. Não se trata só de órfãos. As crianças que fugiram, por variadas razões, encontram-se também perante um futuro
terrível e incerto.

Uma organização como a Fundação Nanban ajuda e reintegra essas crianças, afirma S. Tamil Selvam, coordenador dos programas da Fundação. “As crianças que perderam os pais ou que fugiram de casa porque estes as maltratavam ou porque não conseguem aguentar a pressão da escola, podem ser encontradas nas ruas de Madurai – algumas vêm até de outras cidades. Muitas delas trabalham nos hotéis para lá se poderem alimentar e abrigar; outras estão na estação ferroviária ou rodoviária. Nós reunimos as crianças e falamos com elas, tentando resolver os seus problemas e levá-las para os pais. Quando as crianças não têm ninguém que as possa apoiar, confiamo-las à Comissão do Bem-Estar das Crianças, que pertence ao governo e que trata delas e de sua educação”.

Rishab (16 anos), do Rajastão, fugira para não ser maltratado. “Fugi de casa quando tinha 13 anos. O meu pai batia-me sempre que bebia. Fugi e vim para aqui sem saber o que ia fazer. Vi umas pessoas que esculpiam objetos à beira da estrada, aproximei-me e perguntei-lhes se podia ficar com elas – elas também eram do Rajastão. E elas deram-me um lugar para ficar e de comer."

Khali Hassain (14 anos) é originário de Hyderabad. “Não tenho pais. Vivia no cais quando uma pessoa me pediu que trabalhasse para ela vendendo “panipuri”. Eu aceitei e viemos para Madurai. Vendo “panipuri” em frente das escolas. Quando vejo os alunos não me sinto bem e às vezes fico triste. Só posso amaldiçoar o destino que me obriga a trabalhar, na minha idade, para ganhar a vida”.

James S. – Nanban - Ìndia