Enviado por Frei Betto
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O Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo (CEDHEP) atua na Zona Sul da capital paulista, nos distritos de Jardim Ângela, Capão Redondo, Jardim São Luís e Campo Limpo. Nesta região vivem mais de 1 milhão de habitantes, dos quais 23% estão na faixa etária entre 18 e 29 anos.
 

Com altos índices de violação de direitos, violência e segregação, o distrito de Campo Limpo possui o maior número de óbitos por homicídio de jovens da cidade de São Paulo, seguido do Jardim Ângela, segundo estudo da Rede Nossa São Paulo.   

Fundada há 30 anos, a entidade tem como desafios centrais a violência, o acesso à justiça e a responsabilização. A sede do CDHEP em Campo Limpo foi construída em mutirão da comunidade, em terreno doado por um particular.

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Dois programas se destacam na entidade:

  1. Perdão e Justiça Restaurativa. A prática de Justiça Restaurativa é um meio de gestão de conflitos em que um facilitador auxilia os envolvidos, junto com os membros de sua família e comunidade, a iniciar um processo dialógico, capaz de transformar uma relação conflituosa ou violenta em uma relação de respeito. Ajuda cada participante a reconhecer seus atos, assumir responsabilidades e reparar os danos. Iniciado em 2005, o Programa tem por finalidade a formação e aplicação dessas práticas. Cuida da formação de educadores de escolas públicas da região, técnicos em diversas áreas sociais, agentes de pastorais, população encarcerada, agentes penitenciários e movimentos populares. Facilita e supervisiona processos restaurativos e promove Núcleos Comunitários de Práticas de Justiça Restaurativa. Dentre outros parceiros deste Programa, está a Pastoral Carcerária.
  2. Programa Criança e Juventude. O CDHEP tem longa atuação com a juventude da região. Atualmente, seus dois principais projetos são o Observatório Local dos Direitos da Criança e do Adolescente no território do Capão Redondo, protagonizado por jovens moradores da região, e Construindo uma nova narrativa com jovens mães moradoras do Capão Redondo, cujo objetivo é estabelecer processos de conscientização envolvendo jovens mães, com idade entre 14 e 24 anos, para que construam projetos de vida e difundam ações de garantia dos Direitos Sexuais e Reprodutivos.

Desde 2009 o CDHEP desenvolve ações de interface entre os dois Programas. Entre 2010 e 2012, o CDHEP implementou o projeto Novas Metodologias de Justiça Restaurativa com Adolescentes e Jovens em conflito com a lei, uma parceria com a Secretária Especial dos Direitos Humanos do Governo federal. Em janeiro de 2012, iniciou um segundo projeto em parceria com esta mesma Secretaria – Tecendo Redes de Cuidado: Fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente e Práticas de Justiça Restaurativa, cujo objetivo éarticular e capacitar o Sistema de Garantia de Direitos visando a proteção integral da criança e do adolescente em situação de vulnerabilidade, e diminuição de judicialização em escolas públicas da Região.

A equipe do CEDHEP é integrada por 14 pessoas, sendo que oito monitoram os cursos e quatro cuidam da administração. As despesas mensais fixas (custos institucionais) são em torno de R$ 12 mil, sendo que uma parte procede da Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal e da contribuição de agências estrangeiras. Essas fontes são insuficientes para as necessidades da ONG.