Encontros ao «ritmo da piroga»
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 O Padre Christophe Six foi amigo do ATD Quarto Mundo durante longos anos. Ele tinha partido para a Amazónia em 2005, para se juntar à Equipe Itinerante na região de Manaus, e infelizmente faleceu no ano passado. Mas há outras pessoas que continuam a sua obra. Entre elas, Luísa F. que passou a escrever-nos e que testemunha:

“O que é a Equipe Itinerante? É uma equipe de religiosos e leigos que percorrem a região amazônica. Compartilhamos a vida dos povos ribeirinhos do Amazonas: trabalhadores rurais indígenas e população urbana marginalizada. Esta itinerância dura há doze anos, tecendo novas redes de amigos, participando noutros projetos locais. Trabalhamos a partir de três centros na região de Manaus; em Tabatinga, na fronteira da Colômbia, do Peru e do Brasil; e em Roraima, na fronteira da Venezuela, da Guiana e do Brasil.

O método das equipes baseia-se no “ritmo da piroga”: remamos, navegamos e caminhamos com o povo ribeirinho, com sua esperança e seus limites. Com eles, avançamos, paramos, por vezes recuamos, mas estamos sempre a caminho. Com eles: nem à frente, nem atrás, mas lado a lado. Numa atitude de companheirismo, de solidariedade e de escuta, motivados por sua resistência e por sua audácia...

Procuramos a proximidade dos mais marginalizados, particularmente a população urbana desfavorecida da Amazônia. Mas consagramo-nos também à visita das aldeias, compartilhamos a vida de seus habitantes, apoiamos os movimentos femininos, formamos dirigentes e assumimos o desafio da valorização da cultura autóctone. Além disso, implicamo-nos nas pesquisas feitas pelas tribos do rio que querem provar suas origens. O engajamento do Padre Christophe já tinha alargado o horizonte desse povo, permitindo seu reconhecimento como etnia.

As equipes escrevem sempre um “registo - memória” que perpetua os acontecimentos quotidianos; seus membros registam igualmente sua própria percepção dos fatos e suas experiências. Pretendemos escrever uma História não oficial, contada pelo povo, com seus sentimentos próprios e que revele sua força de
resistência.”

Luisa F., Amazonia, Brasil