E agora, que vamos fazer ?
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Carta aos Amigos do Mundo 86

O trabalho empreendido pelo Movimento ATD Quarto Mundo em cinco continentes para avaliar o impacto dos Objetivos do Milénio veio confirmar que as “medidas políticas de luta contra a pobreza, pensadas sem a participação dos pobres, só muito raramente chegam até eles e até muitas vezes se voltam contra eles.”

Sabemos com efeito que, se não deixarmos ninguém de lado, os projetos e as medidas políticas unem as pessoas em vez de as dividir, reduzem as desigualdades em vez de as aumentar, fazem progredir a justiça, a liberdade e a paz para todos. A nossa esperança é que esta ambição progrida no mundo inteiro, como ponto de partida para um desenvolvimento sustentável para todos.

Tudo isto foi também dito pelas pessoas que participaram na Universidade Popular Quarto Mundo que se realizou no Parlamento Europeu, em Bruxelas, neste último 5 de março. Vindos de dez países europeus, militantes que enfrentam a pobreza dia após dia, cidadãos solidários, funcionários e membros eleitos das instituições europeias, dialogaram e refletiram todos juntos sobre um certo número de propostas para ajudar a Europa a construir-se, respeitando os seus valores fundamentais : os Direitos Humanos, a democracia e a paz. Este encontro foi mais uma vitória nesse longo combate travado para que todos reconheçam que as pessoas vivendo na pobreza são cidadãos que, graças à sua experiência de vida e às suas competências, podem contribuir eficazmente para a construção de um mundo de todos e para
todos.

Uma reflexão de um grupo de militantes sobre as condições necessárias para a participação de pessoas muito pobres na vida cívica e pública impressionou-me muito. Houve alguém que, a certa altura, disse : “Nós não queremos falar em vez dos outros, o nosso objetivo é continuarmos a ir ter com eles para os encontrarmos.” Ir à procura dos que ainda faltam – é o que teremos de ter sempre presente em tudo o que fizermos. Mas que fazemos nós para que eles tenham um lugar ao nosso lado, para que eles se possam exprimir livremente, para que eles possam contribuir para melhorar o mundo e para influenciar os nossos projetos e os nossos programas ?

Isabelle Perrin, Delegada Geral do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo