Dois testemunhos
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Ser cuidadora ou voluntário numa instituição de acolhimento residencial pode ser uma experiência difícil e para conseguir estar bem é preciso ter as mãos e o coração abertos para se dar de verdade.

É a prática verdadeira de fazer o bem sem olhar a quem.

O segredo está na gestão das expectativas pessoais. E a expectativa com que estamos nestas casas tem de ser a de servir e não de receber.

A diversidade de situações, na maioria das vezes delicadas, leva-nos a descobrir o verdadeiro significado de dar o nosso tempo às crianças que aqui encontramos.

Há crianças que têm visitas dos familiares, mas algumas não, só têm as cuidadoras e os voluntários com quem contar.

Quem deseja ser cuidador ou voluntário na Ajuda de Berço, descobre uma outra forma de viver em família, não a família que nos “calha” biologicamente, mas uma família que aprendemos a amar e que se abre ao mundo para descobrir novos caminhos.

Quem deseja fazer parte da família Ajuda de Berço prova que quer evoluir na sua Humanidade.

Sandra Anastácio

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Gosto sempre mais que as pessoas e empresas se encontrem comigo na Ajuda de Berço do que me peçam para ir ter com a elas a uma qualquer sala oval num edifício alto no meio da cidade. Não por preguiça ou comodismo, mas porque acho que quem vem à Ajuda de Berço consegue sentir, sem que haja muitas palavras, infinitamente mais, o amor que aqui se desenvolve do que eu conseguiria explicar entre quatro paredes brancas.

Lembro-me do primeiro impacto que tive quando um dia vim à Ajuda de Berço, sem sonhar que viria aqui trabalhar e isso mantem-se para quem vem de novo, todos os dias: um espaço cuidado; um bom dia e um sorriso na cara de cada pessoa com quem nos cruzamos, trabalhador ou voluntário, adulto ou criança; crianças felizes, apesar das infelizes histórias que têm por trás.

As crianças brincam no pátio ou na sala de visitas, passo por elas no refeitório e elas correm nos corredores e vê-se, mas sobretudo sente-se, que são amadas, que vivem no ambiente “o mais familiar possível”, sendo que nada tem à partida de familiar viver numa instituição.

Sei que o “mundo” não pensa nisto todos os dias e por isso peço que venham ter comigo quando me convidam para falar sobre a Ajuda de Berço. Todos os convites que até agora inverti foram bem sucedidos e as pessoas ficaram ternamente agradecidas. Eu fico com a esperança de que levem esta visita para as suas famílias, amigos e empresas, porque sei, por experiência própria, que é uma experiência transformadora.

Mariana Reis