Definimos juntamente com a população o que é que ela entende por desenvolvimento”
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Lenen R. nasceu no Bangladesh e trabalha para a ONG MATI (palavra que significa “A Terra”), fundada em 1997, e que trabalha no norte do Bangladesh com uma população que vive abaixo do limiar da pobreza. MATI tenta melhorar a autonomia das mulheres, a educação e o desenvolvimento dos meios de subsistência. Eles tentam definir juntamente com os utentes da associação o que é que eles entendem por “desenvolvimento”, procurando lançar e realizar projetos em conjunto.

Temos um projeto chamado “A aldeia do Milénio” para o qual trabalhamos com os habitantes no âmbito dosObjetivos do Milénio para  o Desenvolvimento de modo inteiramente participativo. Tentamos melhorar várias coisas, como a educação, o acesso à água potável ou a redução das dívidas.

O Bangladesh é considerado como a “pátria do microcrédito”, mas nós achamos que do as pessoas precisam é que outros se invistam e se relacionem com elas, não precisam só de dinheiro. Perguntei a uma mulher da Aldeia do Milénio: “O que é para si a pobreza, concretamente?” E ela respondeu-me: “Eu não sou pobre, posso trabalhar e ganhar dinheiro. Só preciso dum trabalho decente”. Temos que entender esta frase como uma exigência para o futuro, um futuro em que cada um possa utilizar os talentos que tem.

Na Aldeia do Milénio, tentamos melhorar as condições de vida conforme as prioridades dos moradores. Há muitas crianças que não vão à escola porque não há infantário na aldeia e a escola mantida por outra ONG dispõe de pouquíssimos lugares. Ora, para serem admitidos numa escola do governo, as crianças devem ter frequentado um infantário para poderem passar no exame de admissão.

As pessoas da terra construiram todas juntas um pequeno centro comunitário no meio da aldeia, com uma sala para a escola e outra para as aulas de costura das mulheres. Todos os anos, 40 crianças de 4 a 6 anos vão ao infantário, em duas equipes de 20 cada uma. A professora é uma mulher instruída da aldeia. Como a escola está no meio da aldeia, fica a poucos metros das casas das crianças. O dia escolar dura uma hora e meia, é o tempo máximo de concentração das crianças. As mães podem sentar-se no pátio e ver o que se passa na aula. Muitas vezes as pessoas da comunidade conversam sobre o que gostariam que a professora fizesse na escola.

LENEN R., BANGLADESH