Cuidar dos mais isolados
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Adónis é um estudante de medecina, originário dos Camarões. Sempre que parte para um novo lugar, para o Togo ou para Marrocos, mantém-se fiel ao seu desejo de ir ter com as pessoas mais isoladas : “Gostava de ir para as regiões mais retiradas para oferecer o tempo de que disponho e ajudar as pessoas a ultrapassar as situações mais difíceis”. Ele compartilha aqui aquilo que viveu nas Filipinas após o ciclone Haiyan.

Durante as minhas férias grandes de 2013, resolvi oferecer-me como voluntário para pôr as minhas competências e o meu tempo ao serviço dos mais precisados. Foi assim que, graças à ajuda financeira de alguns amigos, pude ir para as Filipinas para prestar auxílio às vítimas do ciclone.

Num dia em que tinha acabado mais cedo de trabalhar fui até à beira-mar e avistei uma ilha muito plana. Disseram-me que ela se chamava Salvacio e que tinha ficado muito destruída com o ciclone. Como não havia montes, tinha ficado debaixo de água e a população não tivera onde se refugiar. Alguns habitantes tinham-se empoleirado nos coqueiros para sobreviverem. O vento soprava e desenraizava os coqueiros. Muitas pessoas tinham caído no mar onde lutavam contra as ondas. Foi assim que muita gente morreu. Depois do ciclone ter passado, a maioria dos habitantes não puderam ir ao Centro de Socorros, pois não podiam pagar o barco. Umas semanas antes, uma equipe da Cruz Vermelha tinha ido à ilha para tratar de algumas pessoas. Os que tinham sido tratados deviam atravessar o canal para continuarem o tratamento, mas a maioria não conseguiu fazê-lo por falta de meios. Foi por isso que eu mobilizei uma equipe para ir cuidar dos pobres moradores da ilha.

No dia em que para lá partimos, estava a chover muito e eu tinha um certo medo de ir para o mar. Duas enfermeiras que pensavam ir connosco desistiram. Ora, foi nessa altura que me senti cheio de força e essa força empurrava-me para a ilha. Certos voluntários filipinos tranquilizaram-nos, afirmando que, quando chovia, as ondas nunca eram muito altas.E lá entrámos no barco. Quando chegámos, havia cerca de cem doentes à nossa espera e tratámos deles. Quando à noitinha nos fomos embora, sentime confiante, “Tínhamos feito bem indo ao encontro daqueles habitantes da ilha.”

Adónis, Marrocos