Cinco recomendações para o pós 2015...
Travail autour des recommandations

... a partir da experiência dos mais desfavorecidos

A fim de definir os objetivos de desenvolvimento sustentável, numerosos peritos deram a sua opinião sobre o lançamento dos Objetivos do Milénio para o Desenvolvimento. As condições de sobrevivência, a vergonha e os preconceitos, no meio de que vivem os mais pobres, fazem com que eles quase nunca estejam presentes nos debates sobre o futuro. Ora, tudo o que se decide sem eles vira-se muitas vezes contra eles. Foi por isso que ATD Quarto Mundo foi pedir a opinião dos principais interessados, através de uma ação de pesquisa participativa : “Um saber de experiência feito : elaboração da agenda pós 2015 com as pessoas vivendo em situação de extrema pobreza.”

Desde 2012, cerca de 2000 pessoas de uma dúzia de países, tanto do Norte como do Sul (Bélgica, Bolívia, Brasil, Burquina Faso, Filipinas, França, Guatemala, Haiti, Ilha Maurício, Madagáscar, Peru, Polónia), juntamente com universitários, diretores, governantes, pessoas das Nações Unidas, participaram em entrevistas e reuniões que levaram à redação das recomendações seguintes.

Cinco recomendações para o pós 2015
1. Nunca deixar ninguém de lado. Para isso há que eliminar as discriminações de género, origem social ou derivadas da pobreza, em todos os países.

2. Incluir as pessoas vivendo na po- breza como novos colaboradores na elaboração dos conhecimentos sobre o desenvolvimento.

3. Promover uma economia que res- peite as pessoas e o ambiente, inclu- sivamente com empregos decentes e uma proteção social.

4. Encorajar a cooperação dentro das escolas : entre alunos, famílias, professores e autarcas, para que a educação e a formação fiquem ao alcance de todos. A maioria das pessoas em situação de pobreza pensam que a educação é o melhor meio para que seus filhos possam sair da pobreza.

5. Promover a paz através de uma forma de governo participativa. Para isso é necessário ajudar as comunidades a formar as suas próprias organizações de apoio, e verificar se as estruturas locais, nacionais e internacionais instalam mecanismos participativos.

Para criar um ambiente propício à er- radicação da extrema pobreza, é indis- pensável respeitar os Direitos Humanos, cujas violações são ao mesmo tempo a causa e a consequên- cia da miséria. Os princípios diretores “Extrema Pobreza e Direitos Humanos”* são um instrumento muito útil para que esses direitos sejam efetivos.

* Adotados pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU em setembro de 2012.

Se quiser aprofundar leia o documento : “Para um desenvolvimento sustentável que não deixe ninguém de lado : o desafio do pós 2015”