Cada criança é uma nova oportunidade para o mundo
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Carta aos Amigos do Mundo 88

Os pais que vivem todos os dias em condições de exclusão e de grande pobreza sonham com um mundo onde cada pessoa tenha um lugar ao sol. Para que haja um futuro para além do sofrimento e das constantes carências, eles centram todas as suas energias na educação dos filhos e fazem tudo o que podem para eles não abandonarem os estudos.

No entanto, de seus contatos com a escola só resta geralmente o gosto amargo da decepção e das humilhações sofridas. Madame Lenoir nunca se atreve a falar com os professores “porque sempre que chego”, diz ela, “eles calam-se e quando enfim me dizem alguma coisa é para se queixarem dos meus filhos.” Abdou ouve de cabeça baixa a pergunta da professora : “O que é que o teu pai faz ?”. “Nada”, responde, pois bem sabe que o trabalho da terra é visto com desprezo. David, que no primeiro dia de aulas tinha chegado uma hora adiantado ao portão da escola, tão impaciente estava por aprender, três meses mais tarde já tinha deixado de lá ir. Quanto à Emma, ainda lá vai, mas
sempre com medo que façam troça dela por causa da lama que lhe fica colada aos sapatos quando sai do bairro onde mora.

Nenhuma criança pode aprender quando tem vergonha e se sente rejeitada.

Mas há professores que recusam esta estigmatização e que inovam ; há numerosos correspondentes do Fórum por um Mundo sem Miséria que se mobilizam e se empenham nas escolas onde trabalham. ATD Quarto Mundo também procura promover encontros de reflexão entre os profissionais da educação e os pais que têm uma vida difícil, para que, todos juntos, eles possam conseguir melhores condições de aprendizagem.

Em maio passado houve, impulsionada pela Unesco, a Reunião Mundial sobre a Educação para Todos, no Sultanato de Omã. O seu objetivo era definir um novo plano de Educação Para Todos para depois de 2015. Este evento reuniu 300 participantes entre os quais havia numerosos ministros, peritos e alguns representantes de organizações não governamentais, entre as quais estava o ATD. A maioria das pessoas reunidas nessa conferência empenham-se há vários anos para tentar melhorar o acesso ao ensino para as crianças que dele mais afastadas estão. Lá se trabalhou
sobre propostas a serem realizadas, que foram discutidas para que as nossas escolas mudem, para que elas desenvolvam uma cultura de cooperação entre alunos e para que os pais sejam encarados como sendo os principais parceiros de uma educação de qualidade para todos.

Quanto a nós, continuamos todos a crer que cada criança é uma nova oportunidade para o mundo e que ela tem direito a uma escola onde se sinta confiante e onde possa aprender.

Isabelle Perrin, Delegada Geral
do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo

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