Acompanhando as mães e os seus filhos
image_senagal.jpg

Em 1997 Mamadou G., um jovem vindo de um meio bastante pobre, foi encarregado da organização de uma pequena instituição que aplicava um programa do governo senegalês sobre a alimentação dos bebés. As mulheres eram aí alertadas para os perigos de uma má nutrição, para a importância das vacinas e para as doenças mais frequentes : diarreias e paludismo (cujo risco era grande naquele bairro constantemente inundado dos subúrbios de Dacar).

No fim desse programa, em 2002, acabaram-se os subsídios, e com eles foram-se os salários e o local da ssociação. Que fazer para que todas aquelas mães e crianças não ficassem abandonadas ? Quando era mais novo, Mamadou tinha conseguido estudar graças a uma associação ; achava por isso que “devia fazer hoje o que outros tinham antes feito por ele”. E começa por adaptar a garagem de sua casa para servir de local para a instituição ; quanto às despesas, fazlhes frente com o seu salário, trabalhando num horto.

A sua obra educativa, na qual participa uma animadora do programa inicial, concretiza-se através da criação de Keur Fatou Kaba (escola de Fatou Kaba). Nela acolhe crianças que não foram nunca declaradas no Registo Civil e ajuda as respetivas mães para elas obterem os papéis
indispensáveis para poderem matricular os filhos oficialmente. Incita todas as mulheres a declarar os bebés antes dos 6 meses, o que é muito mais barato do que ter de passar mais tarde pelo tribunal.

Graças ao seu trabalho durante as férias e a pequenos empréstimos, Mamadou constrói todos os anos uma sala de aula e funda em 2007 a associação ANAVI (NAscer e VIver) para apoiar a escola cujas necessidades são prementes.

Catherine G., da associação AGIRabcd, aquando do Fórum Social de Dacar, descobre tudo o que  acaba de ser descrito. A prioridade é a formação dos professores : “É mais importante para a escola do que ter um telhado”. AGIRabcd não trabalha “para” mas “com” ANAVI, fornecendo os serviços de um professor aposentado e de alguns formadores. Cerca de quinze pessoas fazem parte da equipe pedagógica, entre as quais a esposa de Mamadou que cozinha para os alunos.

O trabalho com as mulheres continua. ANAVI organiza aulas à noite nos bairros pobres e prevê a criação duma sala polivalente como centro de escuta e acolhimento. Também pretende desenvolver a alfabetização das jovens para lutar, através da educação, contra a pobreza e a mendicidade infantil. “Queremos salvar os jovens rejeitados pelo sistema”. Mamadou mora no mesmo bairro onde lançou o seu ciclo de ensino elementar. Os vizinhos apoiam-no, especialmente nos momentos mais difíceis. “O que nos permitiu chegar onde chegámos e acolher mais de 300 crianças, foi a confiança”.

Testemunho de Mamadou G., Presidente de ANAVI, Sénégal