Abandono
ajuda_de_berco_copie.png

Mandamos notícias da "Ajuda de Berço", uma associação que acolhe crianças em situação de risco dos 0 aos 3 anos de idade e cujo objectivo é o reencaminhamento para a família de origem, recuperada e acompanhada.

“Toda a criança nasce com o mesmo inalienável direito a um começo de vida saudável, educação e uma infância segura e protegida.” – Convenção dos Direitos da Criança.

Que bom seria que este direito estivesse assegurado! Mas como todos sabemos a realidade é bem diferente, verificando-se a necessidade de algumas crianças serem acolhidas na Ajuda de Berço (ou noutras instituições) por terem sido expostas a situações de perigo: maus-tratos, abuso, negligência ou abandono.

Quando falamos de abandono, estamos aqui a referir-nos a duas formas: um abandono efectivo, que diz respeito ao acto de deixar a criança entregue a si própria ou a outros deixando de a procurar; e ao abandono emocional, relacionado com a carência e a privação afectiva. Podem estar aqui assegurados os cuidados funcionais de higiene, alimentação, saúde, mas existe uma carência de cuidados afectivos ou de estimulação.

Face a uma situação de abandono é indispensável a presença de um substituto adequado da mãe ou de outro familiar que cuidava da criança, um adulto sensível e capaz de identificar e responder às necessidades da criança.

A instituição e todos os funcionários da mesma, têm a função e o dever não só de proteger e acolher a criança mas também de a respeitar e de tentar responder às suas necessidades a todos os níveis. Não se pode limitar a prestar os cuidados de higiene e de alimentação, numa idade em que o amor e a continuidade são importantes para que a criança consiga satisfazer as suas necessidades de afecto. Sob o risco das crianças chegarem a um estado tal de desamparo e de sofrimento irreversíveis…

Importa, pois, dedicar a cada uma das crianças acolhidas uma atenção especial, o reconhecimento de que esta é um ser único com características, necessidades e gostos particulares. É preciso reconhecer os seus progressos, dar sentido às suas manifestações…

É um trabalho exigente e difícil mas sem dúvida imprescindível para permitir a reparação e atenuação do sofrimento que a criança vivenciou. Os cuidados apropriados permitem à criança ainda acreditar que pode ser feliz, que o mundo é seguro e que pode confiar nos outros e nas suas capacidades!

Testemunhos

“Ser voluntária na Ajuda de Berço significa abraçar uma missão única que passa por fazer nascer sorrisos no rosto de cada criança. Todas as semanas entro num mundo em ponto pequeno onde brinco, dou colo, cavalitas, e os encho de beijinhos. Muitos beijinhos! Amo as nossas crianças como se fossem minhas. Sei que não são, mas eu serei para sempre delas.” Joana Sousa – Voluntária

“Para mim, pertencer a esta grande família que é a Ajuda de Berço é um constante desafio, é um caminho que fazemos todos os dias, tendo bem cientes a noção de que nada somos sem partilharmos… A partilha para mim é das coisas mais importantes na vida. Poder partilhar o que sou com todos estes meninos e meninas e poder receber o triplo da partilha, todos os dias, a cada instante, é o que faz com que pertencer seja tão especial. Aprendo que o tamanho, a idade, nada têm a ver com o sentir, pelo contrário, sentir sem limitações e olhar para quem está e para quem nos “ampara” nos momentos mais difíceis faz-nos ver a vida com um sorriso e com a esperança que tudo tem o seu lugar e que todos eles, um dia, encontrarão o seu.” Patricia Guerreiro – Assistente Social