“Como é que uma pessoa que nem sempre tem de comer pode exprimir uma ideia sobre o resto do mundo?”
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Bastantes mães de família, vivendo em bairros muito pobres e membros do CIAF (Centro Integrado de Apoio Familiar), sentiram já este preconceito. Tendo-se reunido para falar sobre os OMD, elas conseguiram, pela primeira vez, exprimir os seus desejos para que as coisas mudem quanto à educação, quanto à saúde e à qualidade de vida. E o fato de terem podido fazê-lo, fez com que passassem a ter uma imagem bem melhor de si próprias.

Carla afirma que se deveriam  “preparar os adolescentes nas escolas, com cursos profissionalizantes preparando para o mercado de trabalho, o governo deveria se empenhar mais na educação das crianças”. Quanto à saúde das mulheres, é preciso “melhorar o tratamento no pré-natal, melhorar a alimentação, melhorar a atenção dos profissionais nos postos e nos hospitais, fazer mais exames.”

Adriana acha “que o governo deveria pagar um bom salário para o pobre, assim daria para levar uma vida digna.” Na escola “os alunos não deveriam passar de ano sem saber ler e escrever.” E, quanto à saúde: “O posto de saúde hoje em dia está péssimo. Não tem médico suficiente para atender a população, a gente chega ao posto para ser atendido e não é bem recebido pelo médico e nem pela recepção. Eles marcam consulta muito longe.”

Rosilaine pensa que “precisa haver capacitação de jovens e adultos, educação, geração de emprego, melhores moradias, uma saúde que funcione. Procuro fazer a diferença no meu espaço, em casa, na minha família. Eu os incentivo a trabalhar, a estudar, fazer cursos, a serem cidadãos de bem e sendo solidários com os outros e dando bons exem- plos. Fazer a diferença não é fácil, mas estou tentando em casa.”

Valéria está convencida de que há que “começar pela reforma agrária do Brasil. Colocando em objetivo a família de baixa renda. Não dando o peixe para a família, mas sim dando a vara para pescar e ensinar a pescar. Assim, com tudo isso as famílias vão poder ver e ter seu crescimento em conjunto familiar e assim passando de pai para filho.” Quanto à  igualdade entre sexos , “poderia ser trabalhado este assunto desde a infância. Como assuntos familiares e questão de igualdade entre irmãos”.

Solange acrescenta que  “o governo deveria investir em indústria para gerar trabalhadores”. Para  combater a AIDS e outras doenças “se deve usar sempre preservativo nas relações sexuais; mais exames de prevenção; mais tratamento gratuito e medicamentos gratuitos para pessoas que tem a doença.”

Aline, Eliete e Raiane, como as outras, falaram daquilo que esperam para as crianças e também para o ambiente: “ Devemos cuidar e cultivar as árvores; não jogar lixo nos rios, não poluir as ruas com os lixos; não gastar muita água, não abusar da energia”. Para todo o grupo é preciso investir nas infraestruturas dos esgotos e de reciclagem...

WILSON O., CIAF, BRÉSIL