“À volta da mesa familiar”
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O Banco Alimentar de Buenos Aires, na Argentina, tem vindo a desenvolver desde 2011 um novo Programa Interinstitucional, chamado “à volta da mesa familiar”. Ele ajuda aquelas famílias tão excluídas que não tinham podido
ser contactadas até então.

Esta proposta precisou de ser preparada durante dois anos porque foi necessário usar uma nova metodologia : partir da família e dos centros comunitários e não das instituições. “À volta da mesa familiar” levou o Banco Alimentar a procurar apoio, lá onde ele não o tinha : a partilha traz os encontros e a necessidade de trabalhar em conjunto.

Encaramos a alimentação na sua dimensão social : a mesa familiar é um espaço de encontro, de diálogo e de comunicação entre os membros da família. Ao cozinhar a refeição, ao pôr a mesa e ao estreitar os laços sociais em torno do prato servido, cada pessoa se torna mais autónoma e refaz as suas forças. Crianças e adultos, todos nós crescemos quando tecemos laços e quando reconhecemos cada um na sua dignidade. “Todos os dias, comemos os 6 em casa, todos juntos. Mas antes, não comíamos ao fimde-semana e, durante a semana, as crianças só almoçavam
ao meio-dia no centro comunitário”
- diz Josefina, uma das mães do Centro Casa da Criança.

Tentamos reforçar o mais possível o grupo das famílias e das mães. São elas que vão a todas as reuniões e que se preocupam quando alguém falta. “Ela tem dois filhos no hospital com uma bronquiolite temos que a ir visitar para termos notícias.” - diz uma mãe do Centro de Lomas de Zamora. “Vamos começar a pintar o infantário do centro, temos que ir todas, não podem ser sempre as mesmas a trabalhar” - diz uma mãe do Centro Conin.Algumas voltaram a estudar : “Estava com vontade de acabar o secundário. Agora, quando tenho boas notas, quando vejo que estou a progredir, vejo que sou capaz e que todas somos. Agora sei exprimir o meu ponto de vista e todos percebem que mudei.” - afirma Laura, uma mãe do Centro Lomas de Zamora.

As atividades propostas são sempre sugeridas pelas famílias. Elas organizam vários ateliers que criam um vaivém entre elas e os centros.

O programa tenta reforçar a coesão familiar, a partir da alimentação, com a aquisição de novas competências, tecendo laços, reforçando a auto-estima e a tomada de iniciativas pelas pessoas do bairro.

Marisa G., Fundação Banco Alimentar
e  Cécilia L., Fundação Losano, Argentina

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