« Juntar esforços »
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A associação Tushirikiane Afrika não existiria sem o empenho e o engajamento de refugiados “voluntários” que assumem graciosamente a responsabilidade de acolher aqueles que continuam chegando às centenas à capital do Quénia. Alguns deles fugiram de seus países há mais de 15 anos. E por sua vez vão acolhendo os novos exilados vindos dos países dos Grandes Lagos : do Ruanda, da R. D. do Congo, do Burundi.

Tendo por vezes passado vários anos em itinerância e vivendo frequentemente de forma muito precária, os voluntários reafirmam no entanto a sua preocupação pelos mais vulneráveis dos vulneráveis. E como é preciso ser corajoso para morar na zona insalubre onde vive o senhor P., numa divisão húmida e sem luz, como uma cave, com dois irmãos mais novos, uma prima adolescente, e uma sobrinha (que está toda bonita com o seu uniforme escolar)!

A., uma das voluntárias, vai encorajando : “Também já vivi assim. Todos passamos por isto... Vai ver, as coisas vão melhorar! Vocês estão todos vivos e isso é uma grande força.”

Tushirikiane Afrika acompanha com especial cuidado os jovens que, em sua grande maioria, estão em Nairobi sem família, desenraizados, obrigados a viver clandestinamente se o seu pedido for rejeitado pelo Alto Comissariado dos Refugiados, confrontados constantemente com a sua condição de estrangeiros e sem nenhum direito. Um deles fala de seus esforços para abrir caminho : “Podem dizer que já fiz 10 coisas e que não consegui nada. Mas eu diria que fiz 10 coisas e que, de cada vez, aprendi que não era isso que era preciso fazer.” A força para se voltar a levantar, ele tira-a da vontade que tem de ajudar os mais desfavorecidos que ele. “O futuro do mundo está em nossas mãos, -nas tuas' e 'nas minhas-.”

Há outro que conta : (...) Sou congolês porque nasci lá. Mas vivi toda a minha vida noutros países. Passei por muitas tribulações mas ainda estou vivo. Passei a vida toda a tentar sobreviver, sem os meus pais. (...) Falaram-me de um orfanato onde a vida das crianças é muito difícil. E eu quis viver junto com essas crianças. Os meus amigos criticaram-me : “Nunca mais te damos dinheiro!” Mas sinto-me bem com elas, sinto-me feliz por a minha vida se misturar com a delas. Mesmo sem dinheiro, é possível dar apoio. Pergunto-me sempre : “Estarei a fazer bem o que estou a fazer ?”

Os voluntários de Tushirikiane Afrika constroem, dia após dia, caminhos de paz entre pessoas cujas comunidades e países se combateram por vezes violentamente. Não querem deixar-se prender dentro do passado : “Que importa sermos de uma ou outra religião, de uma ou outra etnia, de uma ou outra nacionalidade, congolês, burundês ou ruandês ? De agora em diante somos todos exilados e temos que juntar os nossos esforços para construir o futuro.”

TUSHIRIKIANE AFRIKA, QUÉNIA

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