« É uma partilha que nos torna mais humanos »
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O projeto "Nuestro Hogar" acolhe crianças dos 0 aos 5 anos de idade muito feridas pela vida. Liliana, puericultora, dá testemunho da coragem e da força de Brigitte, uma menina de 4 anos. À descoberta de correspondentes do Fórum Permanente sobre a Extrema Pobreza no Mundo.

“NUESTRO HOGAR” (“O nosso lar”) foi criado e é animado pela Fundação AMI. Trata-se de um lar destinado a acolher crianças feridas pela vida de 0 a 5 anos. Certas crianças foram acolhidas por outras estruturas e depois confiadas ao NUESTRO HOGAR por causa das deficiências, atrasos ou problemas constatados, ou então foram-lhe diretamente entregues pelas autoridades (hospitais, polícia, juízes, etc.).

As condições de acolhimento de cada criança são diferentes conforme os casos. Elas chegam ao lar com experiências de vida terríveis: abandonadas pelos pais naturais ou pela família, maltratadas fisicamente e emocionalmente, abusadas, martirizadas, gravemente doentes. A AMI é responsável não só pelas crianças que chegam ao lar, mas também pelo acompanhamento das que regressam às suas famílias. A reinserção familiar das crianças acolhidas no lar é uma preocupação constante da Fundação.

Chamo-me Liliana e sou puericultora na Fundação AMI. Trato das crianças e acompanho todas as suas atividades. É um trabalho que muito me satisfaz pois, dia após dia, graças a ele, fico a conhecer melhor as crianças, e posso ouvi-las e compreendê-las. É uma partilha que nos torna mais humanos, que nos permite unir-nos a elas para voltarmos a encontrar o caminho da alegria, da felicidade e da inocência.

Neste lar, cada criança recebe gestos de atenção, de proteção, de respeito, de gratidão, e ainda de outros sentimentos positivos, prodigalizados por todos os adultos que as rodeiam.

A Brigitte é uma menina que sofre de paralisia cerebral. Ela esforça-se todos os dias para tentar mover-se um pouco mais, efetuando gestos muito impressionantes. Sinto uma grande tristeza quando vejo a Brigitte desesperada por não poder sair e correr como os outros. Apesar disso, ela dá-me um belo exemplo de constância na sua luta pela vida.

A presença desta menina de 4 anos é uma grande oportunidade para o lar pois faz com que ele se mantenha fiel à sua missão. Com efeito, um dos seus objetivos mais importantes é o respeito pelo ritmo de cada um. A evolução da Brigitte desde a sua chegada é impressionante. Ela mostra uma capacidade de comunicação espantosa e uma grande felicidade, graças à sua integração no meio das outras crianças que lhe testemunham uma enorme afeição.

Poder encontrar seres humanos tão especiais é uma experiência muito enriquecedora pois, apesar de serem tão pequenos, eles já sabem o que é sofrer e o que representa a falta de um lar. E mesmo assim, conseguem manter uma força impressionante. Para mim, o mais importante é saber que aqui os seus primeiros valores e modos de julgar serão formados de maneira positiva. Os conhecimentos que vou adquirindo cada semana e ao fim de cada mês permitem-me ficar a saber mais profundamente qual a atenção que devemos prestar a cada criança e, ao mesmo tempo, vou-me formando eu própria para poder ser um guia para todas as crianças.

Cada criança é única, cheia de coisas valiosas e de felicidade e, sobretudo, traz em si um grande coração cheio de amor.

Liliana A., Fundação AMI, Equador

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Comentários

Depois de ler este artigo, o diretor da Sociedade ugandesa de talentos escondidos, uma associação fundada por pessoas deficientes, responde :

Fiquei comovido com a leitura da história da pequena Brigitte e felicito vivamente a Liliana pelo trabalho formidável que ela realiza apoiando as crianças marginalizadas e promovendo a sua auto-estima. A compreensão de Liliana sobre a diversidade das pessoas e a sua atitude positiva em relação às que têm deficiências representam fatores chave no processo de inclusão.

A interação social da pequena Brigitte com os seus pares e os outros membros da organização confirmam a sua pertença e a sua aceitação na comunidade, evitando, assim, sentimentos de exclusão. Isto tem um efeito positivo no seu desenvolvimento cognitivo e físico, permitindo melhorar a sua mobilidade e comunicação.

A deficiência não deveria ser um fator que limita a inclusão social. Tenho um exemplo parecido na nossa escola onde uma criança de 4 anos que nunca na sua vida tinha falado, começou a dizer algumas palavras, o que, suponho, era o resultado da sua interação social comm as outras crianças.

As pessoas com deficiência fazem parte da comunidade. Por favor, Liliana, continue o seu bom trabalho e que Deus a abençoe.

Musenyente Elijah, Sociedade ugandesa dos talentos escondidos. (Uganda Society of Hidden Talents)

Descobrir o site em inglês da Sociedade ugandesa dos talentos escondidos..

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